“Os estudos mostram que as expectativas de remuneração das pessoas mudam de acordo com o momento de vida e carreira”- Danielle Luz, Pesquisadora nas áreas de Tecnologia e RH -UFRJ
A palestra sobre “Novos Modelos de Remuneração” trouxe à discussão temas essenciais para o futuro do trabalho e a evolução dos pacotes de remuneração nas empresas. Com a participação de especialistas como Claudio Costa, Danielle Luz e Marco Santana, o debate abordou desde as transformações trazidas pela Revolução Industrial 4.0 até às demandas contemporâneas por transparência e personalização nos modelos de pagamento.
Com a chegada da internet e o avanço tecnológico, a organização do trabalho e as relações laborais passaram por mudanças significativas. Estamos vivenciando uma era em que a diversidade, a inclusão, e a conformidade com regulamentações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e as práticas de Environmental, Social and Governance (ESG) se tornam imprescindíveis. Esses fatores influenciam diretamente na eficiência operacional e tributária, e, claro, no modelo de remuneração adotado pelas empresas.
A palestra destacou dois cenários distintos no contexto brasileiro: as grandes e médias empresas, que têm experimentado diversos modelos de remuneração, e as pequenas e médias empresas familiares, que representam a maior parte da economia do país. Enquanto as primeiras estão ajustando suas estratégias de remuneração para alinhar com a visão e os objetivos de negócio, as segundas precisam sofisticar suas abordagens para atrair e reter talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
Historicamente, o mercado passou por várias fases e modismos, desde apolítica da qualidade e ISO 9000 na década de 1990 até os modelos de compliance impostos pelo Sarbanes-Oxley Act (Sox) após a quebradeira do mercado americano. Atualmente, o foco está no ESG, que além de organizar as práticas empresariais, influencia a forma como a remuneração é estruturada, embora ainda seja um conceito distante da realidade de muitas empresas.
Personalização nos modelos remuneração
A personalização na remuneração está ganhando espaço, especialmente com a adoção de modelos flexíveis que permitem aos colaboradores ajustar a composição de seus pacotes de benefícios de acordo com suas necessidades e momentos de vida. Exemplos disso são os programas de remuneração variável e a possibilidade de “comprar” dias de férias adicionais, uma prática comum na Europa e nos EUA. Isso mostra que as expectativas dos colaboradores evoluem ao longo do tempo e as empresas precisam estar preparadas para adaptar seus programas de remuneração a essas mudanças.
A transparência também foi um tema central na discussão. Claudio Costa destacou que a remuneração ainda é um tabu em muitas organizações, mas estamos vivendo uma era de transparência, impulsionada pela LGPD e pela demanda por processos claros e abertos. As empresas, como a P&G, estão investindo em comunicação eficaz para garantir que todos os colaboradores compreendam como e por que suas remunerações são estruturadas da forma que são.
A comunicação foi reforçada como o pilar que une todos os elementos da remuneração. Danielle Luz enfatizou que a remuneração não pode mais ser uma área isolada dentro da empresa. Ela deve estar alinhada com as demais áreas de RH e com a estratégia de negócios, e a comunicação clara e efetiva é essencial para esse alinhamento. Isso se torna ainda mais crucial em um cenário onde a força de trabalho está em constante mudança, com a chegada da Geração Alpha até 2030, o que aumentará ainda mais a complexidade dos modelos de remuneração.
Em resumo, a palestra destacou a importância de o RH se atualizar constantemente, buscando dados confiáveis e utilizando tecnologia e inteligência artificial para fundamentar suas decisões. Com a evolução rápida do mercado e as expectativas das novas gerações, as empresas precisam estar preparadas para adaptar seus modelos de remuneração, garantindo não apenas a atração e retenção de talentos, mas também a sustentabilidade e continuidade dos negócios nos próximos anos.
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