Inteligência Artificial na Gestão de Pessoas

11 de dezembro, 2024

5 minutos de leitura

“A Inteligência Artificial tem que deixar de ser medo para ser oportunidade”- Jill Goldstein

O painel sobre “Inteligência Artificial: Impactos na Gestão de Pessoas” no CONARH 2024 trouxe à tona discussões fundamentais sobre o papel transformador da Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho e, em particular, na gestão de recursos humanos.

Com palestrantes renomados como Alexandre Del Rey, Jill Goldstein e Joyce Prestes, o evento explorou as oportunidades e desafios que a IA apresenta, destacando sua importância como uma aliada, e não uma ameaça, para os profissionais.

Jill Goldstein enfatizou que a IA deve ser vista como um “amigo digital”, um suporte que otimiza o trabalho em vez de roubar empregos. Segundo ela, a IA deve ser uma prioridade nos negócios, mas seu uso deve ser responsável e ético.

Apesar de a Inteligência Artificial existir há 68 anos, foi somente com os avanços tecnológicos recentes que se tornou viável utilizar redes neurais artificiais, inspiradas nas redes neurais humanas, para processar e analisar grandes volumes de dados.

A verdadeira revolução aconteceu quando as interfaces de conversação permitiram que as máquinas interagissem de maneira mais humana, transformando a dinâmica do trabalho. O impacto da IA no mercado de trabalho é profundo e exigirá que os profissionais adquiram novas habilidades para se manterem relevantes.

Jill destacou que, no futuro próximo, todos terão a oportunidade de contar com um “amigo digital” personalizado, que oferecerá suporte específico para as demandas de trabalho de cada um. Essa mudança criará dois grupos distintos de trabalhadores: aqueles que precisam desenvolver habilidades técnicas específicas para lidar com a IA e aqueles que precisarão de um “upgrade” em suas competências humanas para integrar processos e interagir com agentes digitais.

O mercado exige profissionais capacitados em Inteligência Artificial

A demanda global por profissionais capacitados em IA já supera a oferta, e as empresas estão investindo cada vez mais em capacitar suas equipes para operar com essas novas tecnologias. Jill citou o exemplo da IBM, onde a IA foi desmistificada e apresentada como uma oportunidade, e não como uma ameaça. Esse é um passo crucial para transformar o medo e a incerteza em uma atitude proativa e positiva em relação à IA.


Os recursos humanos, por sua vez, estão vivendo três revoluções simultâneas: a revolução dos dados, a revolução da inteligência e a revolução do metaverso. Essas mudanças geram sentimentos variados, como medo e ansiedade, especialmente em um setor que historicamente lida com incertezas sobre o futuro. Joyce Prestes destacou a importância de incentivar o aprendizado e a familiarização com a IA para
que essa transição ocorra de forma mais fluida e eficaz.


As competências humanas precisarão ser atualizadas para que os gestores de RH possam alinhar processos humanos e digitais e, assim, liderar essa transformação. Para tirar o máximo proveito da IA, é crucial desenvolver novas competências:

  • Competência Tecnológica: entender e utilizar tecnologias emergentes é fundamental;
  • Competência Humana: modificar e atualizar as competências interpessoais e de gestão;
    Proatividade: em vez de reagir às mudanças, os gestores de RH devem ser proativos em entender e integrar novas tecnologias.


A Inteligência Artificial e o “Efeito Baunilha”

Alexandre Del Rey abordou o “Efeito Baunilha”, um fenômeno em que o uso indiscriminado da IA pode levar a resultados superficiais e homogêneos, sem a riqueza de contexto e a sutileza que somente o toque humano pode proporcionar.

Ele alertou que, se não utilizarmos a IA com inteligência e criatividade, corremos o risco de criar conteúdos artificiais e sem profundidade, como o sabor artificial de baunilha que permeia tantos produtos. Del Rey destacou a importância de que os profissionais não se limitem a usar a IA de maneira
preguiçosa, mas sim que tragam seu potencial humano e visão única para maximizar os benefícios dessa tecnologia.


A metáfora do “piloto automático” também foi discutida, onde Jill Goldstein comparou a IA a um piloto automático de avião: ele pode manter o avião no ar, mas ainda precisa de um piloto humano para tomar decisões críticas. Essa analogia ressalta a importância do julgamento humano e da inteligência emocional
na nova era. A IA, em vez de substituir os humanos, tem o potencial de otimizar capacidades e liberar tempo para que os profissionais se concentrem em tarefas mais complexas e criativas.

Por fim, o painel destacou a necessidade de transformar os detratores da IA em defensores. A força de trabalho precisa passar por um processo contínuo de aprendizado e adaptação à IA, buscando sempre o desenvolvimento e a capacitação.

Como ressaltado por Jill, a adoção bem-sucedida da IA depende da combinação entre tecnologia avançada e o melhor do potencial humano, criando um futuro onde ambos trabalham em harmonia para alcançar resultados extraordinários.

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